LACNIC NewsBoletim Informativo de LACNIC para a comunidade de Internet |
IPv6 Task Force para a América Latina e o Caribe
por Mariela C. Rocha
A qualidade e variedade dos trabalhos que foram apresentados pela comunidade não tem facilitado a nossa tarefa. É notória a evolução no que diz respeito ao conteúdo dos trabalhos, e isso é, principalmente devido a que o protocolo IPv6 está cada vez mais enraizado na Comunidade Internet permitindo que o intercâmbio de experiências seja a cada ano mais enriquecedor. Um dado claro e objetivo é que nas primeiras edições do FLIP6, as diferentes redes apresentavam sua topologia IPv6, a maioria delas suportadas fortemente sob um sistema de túneis y em que a novidade consistia em possuir conexões nativas. Hoje, entretanto, o comitê de avaliação, cuja difícil tarefa era a de escolher os trabalhos que fariam parte da agenda, tem resolvido usar como parâmetros da escolha: Originalidade, Experiência com mérito para ser compartilhada, Possibilidade de aplicação geral, Replicabilidade, Importância no desenvolvimento. O processo tem acabado por este ano, na 5ª realização do Fórum, em que não apenas os trabalhos selecionados tiveram maior sucesso perante a comunidade do LACNIC mas também convidados muito especiais como Yves Poppes (Teleglobe, Canadá) e John Loughney (Nokia, Califórnia) fizeram grandes contribuições com suas experiências e visões sobre o desdobramento do IPv6. Do outro lado, devemos salientar o esforço realizado pelo staff técnico do LACNIC para que, além das apresentações feitas de forma presencial, fosse possível contar com a participação remota tanto através da teleconferência quanto da vídeoconferência. Vale uma menção especial para o diretor executivo do LACNIC, que anunciou à comunidade, com muito prazer, a forte iniciativa de começar uma campanha massiva de adoção do IPv6 para a toda a região, tentando atingir esse objetivo para o dia 1/1/2011. A apresentação de Yves Poppes nos defrontou às estatísticas, dados e anedotas, a realidade do IPv6 no mundo e os benefícios de sua adoção prematura, quem são os alvos e como é o mundo de hoje com as telecomunicações. Foi muito importante enxergar como é a experiência em uma rede global como a de Teleglobe. Mais perto da gente, Roque Gagliano da Antel no Uruguai nos mostrou as características de um ambiente multivendor e as problemáticas que surgiram na hora de implementar o IPv6 nesse ambiente. Falou sobre os problemas que podem se apresentar no futuro com a engenharia de tráfego para poder balancear a carga dos diferentes tipos de clientes. Descreveu a facilidade que permite MPLS para implementar o IPv6 sem necessidade de configurar os routers do Core da rede e outras características a levar em conta no momento de decidir incorporar o IPv6 na rede de um provedor. Uma apresentação muito boa de grande qualidade técnica. Como já é costume do polêmico Jordi Palet, ele foi direto ao assunto mostrando quais vão ser segundo ele, as conseqüências de não estar preparado para as mudanças que são inevitáveis. Segundo explicou não apenas o custo econômico mas também organizacional. Ele disse que nas organizações é quase vital não esperar até o último momento lembrando do chamado “problema do ano 2000”. Com um linguajar vívido destacado por seu sotaque ibérico descreveu os problemas que pode representar o NAT e deu pautas para realizar a transição sem problemas. Foi enfático em recomendar o uso do mecanismo “dual stack” assim como também o planejamento precoce da transição. O aporte de John Loughney da Nokia foi mostrar como está funcionando a convergência de tecnologias no mundo comercial, apresentando o suporte do IPv6 nos telefones celulares da companhia que representa, o estado atual e a procura do mercado. Uma parte importante de sua apresentação foi um estudo de mercado feito pela Nokia sobre a penetração da Internet móvel no mundo e como por exemplo, no Japão, 66% dos usuários usa algum tipo de serviço com Internet móvel. Explicou também o problema entre os endereços IPv4 com NAT e as freqüentes mensagens de keep alive (que consomem a bateria dos celulares) o IPv6 com conexões de longa duração. Introduziu no debate o assunto dos tempos previstos para que o pool central de endereços da IANA fique esgotado devido à quantidade de novos “devices” conectados, que segundo ele disse, está estimado para dezembro de 2009, e o dos RIRs para agosto de 2010. A apresentação de Federico Diano acrescentou a descrição completa de MLPS desde o planejamento até sua implementação em uma rede regional de um ISP como Comsat, com presença ativa em 14 países. Explicações técnicas de como foi feita a implementação, mapeando IPv6 em MPLS mediante a técnica 6PE. Por sua parte, Alessandro Santiago dos Santos contribuiu com o conhecimento de uma ferramenta para realizar provas de compatibilidade IPv6 dos equipamentos.Esta ferramenta é um software open source, de livre disponibilidade e uma demonstração ao vivo no evento encaminhou soluções para a tarefa dos administradores. Finalmente, o diretor executivo do LACNIC, Raúl Echeberría, anunciou que sua organização vai lançar uma campanha – da que damos conta em outro artigo deste boletim – para que em 1/1/2011 se consiga a implementação do IPv6 em todos os operadores da região. Explicou que para isso vão ser organizadas atividades, vão ser preparados materiais, cursos e vão se fazer gestões perante os governos para que impulsionem a adoção do protocolo nos países, mediante políticas públicas.
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